As Redes de Inteligência Coletiva podem ajudar indivíduos a desenvolverem os sentimentos mais importantes para uma vida plena.
O conceito de Positividade foi proposto por Barbara Fredrickson, psicóloga e professora na Universidade de Michigan, em 2009. Sua pesquisa começou ainda na década de 1990, através de um curioso experimento.
A equipe de Barbara submeteu três grupos de pessoas a vídeos que despertassem diferentes emoções. O primeiro grupo assistiu a vídeos que evocavam emoções positivas. O segundo, a vídeos que provocavam emoções negativas. O terceiro grupo assistiu a vídeos neutros, que não despertavam emoções. Logo em seguida, os participantes foram solicitados a listar o que gostariam de fazer naquele momento, de acordo com o que estavam sentindo. Fredrickson observou que o grupo que assistiu aos vídeos positivos fez uma lista maior de atividades, enquanto as pessoas que assistiram a vídeos negativos fizeram listas menores. Além disso, a pesquisa mostrou que a visão do todo (a capacidade de enxergar conexões e soluções) dependia do estado emocional do indivíduo no momento do experimento.
Esse estudo, publicado em diversos artigos científicos e relatado no livro “Positividade: Descubra a força das emoções positivas, supere a negatividade e viva plenamente” (Ed. Rocco, disponível em português) demonstrou que emoções positivas ampliam a cognição e o repertório de pensamento e ação das pessoas, abrindo suas mentes para novas possibilidades, enquanto as emoções negativas tendem a restringir o horizonte.
Essa descoberta deu origem à Teoria da Ampliação e Construção (Broaden-and-Build), que é a base do conceito de Positividade. Ela propõe que as emoções positivas não são apenas indicadores de bem-estar, mas sim forças essenciais que ampliam nossos repertórios de pensamento e ação. O estudo constatou que pessoas que tem emoções positivas na razão de 3:1 – ou seja, vivenciam 3 emoções positivas para cada emoção negativa – são capazes de construir recursos pessoais duradouros que ajudam a prosperar no presente e lidar com desafios futuros. Alguns exemplos destes recursos são resiliência emocional, conexões sociais, saúde física e habilidades cognitivas.
As Redes de Inteligência Coletiva são um ambiente extremamente favorável às emoções positivas, favorecendo a ampliação e crescimento individual e coletivo. Na escola, por exemplo, uma turma RICa cria condições para o desenvolvimento das 10 emoções positivas centrais que Barbara Fredrickson apontou: alegria, gratidão, serenidade, interesse, esperança, orgulho (de pertencer), diversão, inspiração, admiração e amor. Ao mesmo tempo, a RICa afasta ou minimiza emoções negativas como medo, raiva, tristeza, nojo, vergonha, culpa, ansiedade e desprezo.
E mesmo que o aluno conviva com outros ambientes desafiadores, a positividade experimentada nas Redes de Inteligência Coletiva – sua turma, sua escola – pode oferecer ferramentas que permitirão empregar seus recursos pessoais em outros contextos.
Fenômeno parecido pode ser experimentado por professores, tanto em relação aos alunos quanto aos colegas. A equipe escolar – professores, diretor, vices, coordenadores etc. – podem (e devem!) formar uma Rede de Inteligência Coletiva, promovendo um ambiente de baixo estresse e grande desempenho individual e de grupo.
Não tenho dúvidas de que uma Escola composta por diversas RICa – nas turmas, na equipe, no grêmio estudantil e com as famílias dos alunos – será um espaço motivador, impulsionando o desenvolvimento acadêmico e socio-emocional. Em outras palavras, preparando melhor para os desafios de hoje e de amanhã, com qualidade de vida e altos índices de satisfação.